Paulo Coelho: “Como o rio que flui”

Eu sou uma amante dos livros- só amante nao- sou amiga, esposa, cúmplice e viciada. Preciso deles para encontrar sentido à vida e às coisas.

Em 2006, eu comecei a listar tudo o que eu lia e assim, encontrei uma forma sistemática de organizar e imortalizar os pensamentos mais interessantes de cada livro. E começo com um livro que acabei de ler.

Sempre tive preconceito contra a literatura de Paulo Coelho, ranço da universidade. Os meus professores de literatura diziam que Paulo Coelho nao era literatura e claro, isso acabou influenciando os jovens estudantes a nao lerem o escritor.

Paulo Coelho é carioca e nasceu em 24 de agosto de 1947, vive em um moinho reformado num povoado St. Martin, nos Pirineus franceses. Foto: Época

Acho um erro dos professores falarem assim de Paulo Coelho ou qualquer outro escritor. Eles colocaram uma tarja preta de “proibido ler” sem que os alunos tivessem a oportunidade de ter uma opiniao própria. Gosto nao se discute, mas essa postura de muitos dos professores universitários, eu contesto sim. Nao acho correta.

Paulo Coelho é casado com a artista plástica Cristina Oiticica.

Entao, durante vários anos eu deixei de lado PC. Há alguns dias eu vi na sessao de livros do “El Corte Ingles” (Madri) uma estante em destaque com livros do PC e um lançamento, um áudio- livro. A minha rejeiçao antiga me fez pousar o livro de volta na prateleira.

Dois dias depois na Fnac, o mesmo comportamento, mas a curiosidade de ver afinal o que esse homem escreve foi maior, e ontem, finalmente, peguei o livro entre as maos, lacrado, sem poder saber do que tratava, e a curiosidade foi mais forte: paguei os 18 euros que o livro valia e fui embora.

Imediatamente ao chegar em casa comecei a ler e só parei porque tinha outras obrigaçoes. O livro ficou pela metade. Hoje pela manha recomecei a leitura, quando chegou na última página perguntei “ué, acabou?!”, com pena.

Nao posso dizer que “Como el río que fluye” (Como o rio que flui) seja uma obra maior da literatura, mas distrai, prende, ensina, dá esperança, anima, nos dá a oportunidade de pensar sobre nós mesmos e nossas vidas, sobre a natureza, a vida e a morte, o que queremos e o que nao queremos, enfim, sobre o que estamos fazendo aqui na Terra. É místico, mágico, alenta a alma. E eu acho que isso é muito.

É auto- ajuda? Pode ser. Mas que mal há nisso? Nesse nosso mundo de gente solitária é necessário mesmo que as pessoas se auto- ajudem.

Paulo Coelho entrou para ABL em 2004- A surpreendente escolha da Academia mostra que os “imortais” têm a cabeça mais aberta ao nao tao canônico…ou seria algum interesse de outro tipo? PC é um dos escritores que mais vende livros no mundo.

O livro é uma antologia de textos curtos escolhidos entre 1998 e 2005 e apesar de ter gostado, ainda é muito pouco para poder dar o meu parecer, totalmente pessoal e particular, sobre a obra de Paulo Coelho. Agora quero ler todos, antes de julgar, assim é que se faz.

Deixo um trecho dos muitos textos que me chegaram na alma (traduzido do espanhol para o português de uma forma bastante livre):

“Os Guerreiros de Luz, depois de cumprir com seu dever e transformar sua intençao em gesto, nao necessitam temer nada mais: fizeram o que deviam. Nao se deixaram paralisar pelo medo; mesmo quando a flecha nao alcançar o alvo, terao outra oportunidade, porque nao foram covardes” (“El camino del tiro con arco”, pág. 27)

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